Encontros
Todos os sábados as 18:30 Comunidade Santa Clara de Assis
Siga-nos
RSSTwitterFacebook
Facebook

‘estudo bíblico’

PostHeaderIcon Deus vê além

Que alegria poder, a cada mês, chegar até você e partilhar um pouco da Palavra de Deus! Neste mês, nossa reflexão será sobre o texto de Lucas 12,13-21, Evangelho do 18º Domingo do Tempo Comum. Toda partilha da Palavra só tem verdadeiro sentido se for preparada pela escuta atenta de Deus que fala. Então, coloque-se à disposição do Senhor para escutá-Lo, leia a Bíblia e, em seguida, faça um instante de silêncio.

“Do meio da multidão, surge esse pedido: ‘Mestre, dize a meu irmão que reparta comigo a herança’”. Alguém, em meio aos seus problemas, recorre a Jesus, como nós, que tantas vezes fazemos isso. Entretanto, algo está errado. Aquele homem fez como nós, que também, muitas vezes, pedimos ajuda para Jesus e, além de dizer a Ele qual é o problema, ainda dizemos o que Ele deve fazer.

mat_30ago13_001

Essa oração, mais do que uma súplica, é uma ordem nossa para que o próprio Jesus nos obedeça e realize um milagre na nossa vida, mas “do jeito que nós queremos”!

Cristo, por Sua vez, sabe que deve obedecer somente ao Pai e não cede aos nossos caprichos. Chama-nos à atenção contra a avareza, na qual se deposita toda a segurança e confiança na abundância dos bens.

Quando nossas posses, sejam muitas ou poucas, nos afastam de Deus e dos irmãos, esse é um forte sinal de que a avareza, disfarçadamente, tomou nosso coração. Quantas famílias estão arruinadas por causa de brigas e desentendimentos em virtude de uma herança? E as amizades que chegaram ao fim por causa da disputa de poder e dinheiro?

Não podemos exigir que Jesus resolva nossos problemas segundo as nossas medidas e projetos. Deus vê muito além daquilo que nós somos capazes de enxergar. Nossa oração é sim um espaço de intimidade com Ele, quando apresentamos nossos agradecimentos e necessidades, mas nunca com o direito de exigir que Ele resolva nossos problemas de acordo com nossos pensamentos.

Quem se acostumou a controlar as coisas e manipular as pessoas têm a infeliz coragem de rezar para Deus dizendo o que Ele deve fazer; porém, os critérios do Senhor não passam pela abundância das coisas ou influência de poderes.

Quem se aplica na construção de um império material para si, jamais abre mão de ser sempre “o grande imperador”, porém sempre deixa Deus fora do seu reinado. Mas quem, por sua vez, aprende a usar as coisas e o dinheiro, sem se deixar controlar pelos mesmos, permanece com Deus e o tem como seu maior tesouro.

O Reino do Pai é nossa maior herança e essa já nos foi garantida em Jesus. As coisas e o dinheiro devem ser usados por nós e não o contrário, onde o avarento se deixa controlar por essas coisas e passa a ver o irmão como um adversário a ser eliminado.

Padre Fabrício
Membro da Comunidade Canção Nova

PostHeaderIcon A origem e função dos dons (ICor 12,1-31)

1 – Leia o texto

1 A respeito das manifestações do Espírito, eu não quero, irmãos, que fiqueis na ignorância. 2 Vós sabeis que, quando pagãos, éreis arrastados, como que ao acaso, para os ídolos mudos. 3 Por isso eu vos declaro: ninguém, falando sob a inspiração do Espírito de Deus, pode dizer: “Maldito seja Jesus” e ninguém pode dizer, “Jesus é Senhor”, a não ser pelo Espírito Santo.
4 Há diversidade de dons da graça, mas o Espírito é o mesmo; 5 diversidade de ministérios, mas é o mesmo Senhor; 6 diversos modos de ação, mas é o mesmo Deus que realiza tudo em todos. 7 A cada um é dado o dom de manifestar o Espírito em vista do bem de todos. 8 A este o Espírito dá uma mensagem de sabedoria, a outro, uma de conhecimento, conforme o mesmo Espírito; 9 a um o mesmo Espírito dá a fé, a outro o único Espírito concede dons de cura; 10 a outro, o poder de operar milagres; a outro, de profetizar; a outro, discernir os espíritos; a outro ainda, o dom de falar línguas; enfim a outro, o dom de as interpretar. 11 Mas tudo isso é o único e mesmo Espírito que o realiza, concedendo a cada um diversos dons pessoais, segundo a sua vontade. 12 Com efeito, façamos uma comparação: o corpo é um, e no entanto, tem vários membros; mas todos os membros do corpo, não obstante o seu número, formam um só corpo: o mesmo acontece com o Cristo. 13 Pois todos nós fomos batizados em um só Espírito, para formarmos um só corpo, judeus ou gregos, escravos ou homens livres, e todos nós bebemos de um único Espírito. 14 O corpo de fato não se compõe de um só membro, mas de vários. 15 Se o pé dissesse: “Como eu não sou mão, não faço parte do corpo”, cessaria ele, por isso, de pertencer ao corpo? 16 Se o ouvido dissesse: “Como eu não sou olho, não faço parte do corpo”, cessaria ele, por isso de pertencer ao corpo? 17 Se o corpo inteiro fosse olho, onde estaria o ouvido? Se tudo fosse ouvido, onde estaria o olfato? 18 Mas Deus dispôs no corpo cada um dos membros, segundo a sua vontade. 19 Se o conjunto fosse um só membro, onde estaria o corpo? 20 Portanto há vários membros, mas um só corpo. 21 O olho não pode dizer à mão: “Eu não preciso de ti” – nem a cabeça dizer aos pés: “Eu não preciso de vós”. 22 Não só, mas até os membros do corpo que parecem mais fracos são necessários, 23 e os que consideramos menos dignos de honra, são os que mais honramos. Quanto menos decentes, mais decentemente os tratamos: 24 os que são decentes não precisam dessas atenções. Mas Deus compôs o corpo dando mais honra ao que dela é desprovido, 25 a fim de que não haja divisão no corpo, mas os membros tenham cuidado comum uns pelos outros. 26 Se um membro sofre, todos os membros participam do seu sofrimento; se um membro é glorificado, todos os membros participam da sua alegria. 27 Ora, vós sois o corpo de Cristo, e sois os seus membros, cada um no que lhe cabe. 28 E os que Deus dispôs na Igreja são, primeiro apóstolos, segundo profetas, terceiro homens encarregados do ensino; vem a seguir o dom dos milagres, depois o da cura, o da assistência, o da direção, e o dom de falar em línguas. 29 Acaso são todos apóstolos? Todos profetas? Todos ensinam? Todos fazem milagres? 30 Todos têm o dom de cura? Todos falam em línguas? Todos interpretam? 31 Ambicionai os dons melhores. E além disso, eu vou indicar-vos um caminho infinitamente superior.
Primeira Epístola aos Coríntios 12,1-31

2 – Assista a explicação sobre o texto

3 – Mais informações

Como vimos no início da carta na comunidade de Corinto não falta nenhum dom, mas pelas palavras do apóstolo, ao que parece, esses dons e seu uso também causavam divisão na comunidade. Por isso o apóstolo quer ensinar sobre os dons e seu uso, sobre duas bases: a origem dos dons (vem do Espírito) e a função (é diversa).

São Paulo deixa claro que a origem dos dons, carismas, ministérios e atividades provêm de Deus, de Jesus, do espírito (12,4-6). Sendo assim, não são conseguidos pelo intelecto ou esforço humano, mas são dados gratuitamente através da ação do Espírito (12,6).

Paulo passa a demonstrar sua finalidade. As pessoas recebem dons diversos, e esses dons devem ser colocados em prol do outro, do bem comum. (12,7). E passa a relatar alguns desses dons. Interessante notar que começa pelo dom da sabedoria, tema que perpassa toda a carta .

Até aqui, apesar de já ter deixado claro que os dons são dados em benefício da comunidade, a ênfase foi a origem desses dons. A partir de agora o apóstolo passa a desenvolver com mais vagar a finalidade dos dons que é o serviço ao outro. E para isso usa como exemplo o corpo humano (12,12). Assim reforça a questão da unidade que o próprio Espírito proporciona. No batismo somos todos iguais (12,13-14).

Interessante é que o apóstolo começa por demonstrar a importância dos membros considerados menos importantes em comparação com outros mais vistosos: pé/mão e ouvido/olho (12, 15-17). E assim atesta a importância dos mais fracos na comunidade, chamando-os de indispensáveis (12,22), pois ta?bém fazem parte do corpo da Igreja cuja cabeça é Cristo (12,18-20).

Ataca aqueles que se consideram superiores e não querem contar com os mais fracos (12,21). E reforça a importância desses membros e comparando-os com partes íntimas do corpo mostra que, apesar de serem considerados menos nobres, são justamente esses membros que precisam ser mais honrados (12, 22-24). O apóstolo faz essa comparação, justamente para que não haja divisão e que todos sejam valorizados (12,25), de modo a que todos participem da vida dos demais membros da comunidade. E dessa forma cada um se sinta singular diante de Deus e da comunidade (12,26-27).

Fecha o trecho com, além de alguns carismas já citados e outros novos, atividades de hierárquicas – apóstolos, profetas e mestres (12,28). Esses cargos também participam da mesma dinâmica dos carismas. Nisso o apóstolo inclui todos da comunidade. Independente do carisma, do dom, da função, da atividade, do cargo… são todos importantes, cada um possui um lugar específico, mas todos membros do mesmo corpo (12,29-30). E dessa maneira abre o tema seguinte que diz respeito ao anseio pelo dom mais valioso. E que esse dom é tão importante que não é tratado como um dos carismas simplesmente, mas um caminho que ultrapassa a qualquer outro (12,31).

4 – Como aplicar o texto na vida

- Qauis os dons que o Espírito Santo me concedeu?

- Coloco meus dons em favor do bem comum?

- Tenho consciência que todos possuem dons e que todos possuem sua importância?

- Me enxergo como membro do Corpo de Cristo?

5 – Comente, participe através da área abaixo

PostHeaderIcon Resumo dos livros da Bíblia – Novo Testamento

Os Evangelhos

A palavra ¨Evangelho¨ vem do grego ¨evangélion¨, que quer dizer ¨Boa Notícia¨. Para os apóstolos era ¨aquilo que Jesus fez e disse¨(At 1,1). É a força renovadora do mundo e do homem.

A Igreja reconhece como canônicos (inspirados por Deus) os quatro Evangelhos: Mateus, Marcos, Lucas e João. Os três primeiros são chamados de ¨sinóticos¨ porque podem ser lidos em paralelo, já o de São João é bastane diferente. Existem também evangelhos apócrifos que a Igreja não reconheceu como Palavra de Deus. São os de Tomé, de Tiago, de Nicodemos, de Pedro, os Evangelhos da Infância, etc. Eles contém verdades históricas junto narrações fantasiosas e heresias.

Os evangelhos são simbolizados pelos animais descritos em Ez 1,10 e Ap 4,6-8: o leão (Marcos), o touro (Lucas), o homem (Mateus), a águia (João). Foi a Tradição da Igreja nos séculos II a IV que tomou esta simbologia tendo em vista o início de cada evangelho. Mateus começa apresentando a genealogia de Jesus (homem); Marcos tem início com João no deserto, que é tido como morada do leão; Lucas começa com Zacarias a sacrificar no Templo um touro, e João começa com o Verbo eterno que das alturas desce como uma águia para se encarnar.

Jesus pregou do ano 27 a 30 sem nada deixar escrito, mas garantiu aos Apóstolos na última Ceia, que o Espírito Santo os faria ¨relembrar todas as coisas¨ (Jo14, 25) e lhes ¨ensinaria toda a verdade¨ (Jo 16,13). Desta promessa, e com esta certeza, a Igreja que nasceu com Pedro e os Apóstolos, sabe que nunca errou o caminho da salvação. De 20 a 30 anos após a morte de Jesus os Apóstolos sentiram a necessidade de escrever o que pregaram durante esses anos, para que as demais comunidades fora da Terra Santa pudessem conhecer a mensagem de Jesus.

O Evangelho de Mateus – é o primeiro que foi escrito, em Israel e em aramaico, por volta do ano 50. Serviu de modelo para Marcos e Lucas. O texto de Mateus foi traduzido para o grego, tendo em vista que o mundo romano da época falava o grego. O texto aramaico de Mateus se perdeu. Já no ano 130 o Bispo Pápias, da Frígia, fala deste texto.

Também Santo Irineu (†200), que foi discípulo de S. Policarpo, que por sua vez foi discípulo de S. João evangelista, fala do Evangelho de Mateus, no século II.

Comprova-se aí a historicidade do Evangelho de Mateus. Ele escreveu para os judeus de sua terra, convertidos ao cristianismo. Era o únicos dos apóstolos habituado à arte de escrever, a calcular e a narrar os fatos. Compreende-se que os próprios Apóstolos do tenham escolhido para esta tarefa. O objetivo da narração foi mostrar aos judeus que Jesus era o Messias anunciado pelos profetas, por isso, cita muitas vezes o Antigo Testamento e as profecias sobre o Messias. Como disse Renan, o evangelho de Mateus tornou-se ¨o livro mais importante da história universal¨.

O Evangelho de Marcos – S. Marcos não foi apóstolo, mas discípulo deles, especialmente de Pedro, que o chama de filho (1Pe 5,13). Foi também companheiro de S. Paulo na primeira viagem missionária (At 13,5; Cl 4, 10; 2Tm 4,11). O testemunho mais antigo sobre a autoria do segundo evangelho, é dado pelo famoso bispo de Hierápolis, na Ásia Menor, Pápias (†135).

O Evangelho de Lucas – Lucas não era judeu como Mateus e Marcos (isto é interessante!), mas pagão de Antioquia da Síria (Cl 4, 10-14). Era culto e médico. Ligou-se profundamente a S. Paulo e o acompanhou em trechos da segunda e terceira viagem missionária do apóstolo (At 16, 10-37; 20,5-21). No ano de 60 foi para Roma com Paulo (At 27,1-28) e ficou com ele durante o seu primeiro cativeiro (Cl 4, 14; Fm 24) e acompanhou Paulo no segundo cativeiro (2Tm 4,11). A Tradição da Igreja dá seguinte testemunho deste Evangelho.

O texto foi escrito em grego, numa linguagem culta e há uma afinidade com a linguagem e a doutrina de S. Paulo. foi escrito por volta do ano 70. Como escreveu para os pagãos convertidos ao cristianismo, não se preocupou com o que só interessava aos judeus.

Mateus mostra um Jesus como Mestre notável por seus sermões – o novo Moisés, Marcos o apresenta como o herói admirável ( o Leão da tribo de Judá – Ap 5,5), Lucas se detém mais nos traços delicados e misericordiosos da alma de Jesus. É o evangelho da salvação e da misericórdia. É também o evangelho do Espírito Santo e da oração. E não deixa de ser também o evangelho da pobreza e da alegria dos pequenos e humildes que colocam a confiança toda em Deus.

O Evangelho de João – S. João era filho de Zebedeu e Salomé (cf. Mc 15,40) e irmão de Tiago maior (cf. Mc 1, 16-20). Testemunhou tudo o que narrou, com profundo conhecimento. É o ¨discípulo que Jesus amava¨ (Jo 21,40). Este evangelho foi escrito entre os anos 95 e 100 dC., provavelmente em Éfeso onde João residia.

João não quis repetir o que os três primeiros evangelhos já tinham narrado, mas usou essas fontes. Escreveu um evangelho profundamente meditado e teológico, mais do que histórico como os outros. Contudo, não cedeu a ficções ou fantasias sobre o Mestre, mostrando inclusive dados que os outros evangelhos não tem. Apresentando essa doutrina ele quis fortalecer os cristãos contra as primeiras heresias que já surgiam, especialmente o gnosticismo que negava a verdadeira encarnação do Verbo. Cerinto e Ebion negavam a divindade de Jesus, ensinando a heresia segundo a qual o Espírito Santo descera sobre Jesus no batismo, mas o deixara na Paixão. É um evangelho profundamente importante para a teologia dogmática e sacramental especialmente.

Os Atos dos Apóstolos

Não há dúvida de que foi escrito por S. Lucas, médico e companheiro de S. Paulo. Conta a história da Igreja, desde Pentecostes, guiada pelo Espírito Santo, até chegar em Roma com S. Pedro e S. Paulo.

Teofilacto (†1078) dizia que: Os evangelhos apresentam os feitos do Filho, ao passo que os Atos descrevem os feitos do Espírito Santo¨.

O livro se divide em duas partes: uma que é marcada pela pessoa de Pedro (At 1 a 12), e a outra marcada por Paulo (At 13 a 28) . Pedro leva o evangelho de Jerusalém à Judéia e à Samaria, chegando até a conversão marcante do primeiro pagão, batizado, Cornélio (At 10,1-11), o que abriu a porta da Igreja para os não judeus. Paulo promove a evangelização dos gentios mediante três viagens missionárias de grande importância. O capítulo 15 é a ligação entre as duas partes do livro, mostrando Pedro e Paulo juntos em Jerusalém, no ano 49, no importante Concílio de Jerusalém, que aboliu a circuncisão e reconheceu que o Reino de Deus é para toda a humanidade.

O testemunho mais antigo de que Lucas é o autor dos Atos é o chamado cânon de Muratori, do século II, que afirma:

¨As proezas de todos os apóstolos foram escritas num livro. Lucas, com dedicatória ao excelentíssimo Teófilo, aí reconheceu todos os fatos particulares que se desenrolaram sob seus olhos e os pôs em evidência deixando de lado o martírio de Pedro e a viagem de Paulo da Cidade (Roma) rumo à Espanha.¨

Notamos que o início de Atos dá uma sequência lógica ao final do evangelho de Lucas, e ambos são dedicados a Teófilo, além de que o estilo e o vocabulário são parecidos. Segundo São Jerônimo (348-520) os Atos foram escritos em Roma, quando Lucas estava alí ao lado de Paulo prisioneiro, em grego, por volta do ano 63.

Os Atos dos Apóstolos são portanto o primeiro livro de História da Igreja nascente, escrito por uma testemunha ocular dos fatos, que os narrou de maneira precisa e sóbria. Aí podemos conhecer o rosto da Igreja no primeiro século, sua organização, etc. É o evangelho do Espírito Santo.

As cartas de São Paulo

Paulo (ou Saulo) nasceu em Tarso na Cilícia (Ásia menor) no início da era cristã, de família israelita, muito fiel à doutrina e à tradição judaica; seu pai comprara a cidadania romana, o que era possível naquele tempo, então Saulo nasceu como cidadão romano, legalmente. Aos 15 anos de idade foi enviado para Jerusalém onde recebeu a formação do rabino Gamaliel (At 22,3; 26,4;5,34), e foi formado na arte rabínica de interpretar as Escrituras, e deve ter aprendido a profissão de curtidor de couro, seleiro. Por volta do ano 36 era severo perseguidor dos cristãos, mas se converteu espetacularmente quando o próprio Senhor lhe apareceu na estrada de Jerusalém para Damasco, onde foi batizado por Ananias. Em seguida permaneceu num lugar perto de Damasco chamado Arábia. No ano 39 se encontrou com Pedro e Tiago em Jerusalém (Gal 1, 18) e depois voltou para Tarso (At 9,26-30) acabrunhado pelo fracasso do seu trabalho em Jerusalém. Alí ficou por cerca de 5 anos, até o ano 43. Nesta época, Barnabé, seu primo, que era discípulo em Antioquia, importante comunidade cristã fundada por S.Pedro, o levou para lá. Em 44 Paulo e Barnabé são encarregados pela comunidade de Antioquia para levar a ajuda financeira aos irmãos pobres de Jerusalém. No ano 45, por inspiração do Espírito Santo, Paulo e Marcos (o evangelista) foram enviados a pregar aos gentios (At 13,1-3). A primeira viagem durou cerca de 3 anos (45-48) percorrendo a ilha de Chipre a parte da Ásia Menor. No ano de 49 Paulo e Barnabé vão a Jerusalém para o primeiro Concílio da Igreja, para resolver a questão da circuncisão, surgida em Antioquia. A segunda viagem foi de 50 a 53, durante a qual Paulo escreveu, em Corinto, as duas cartas aos Tessalonicenses (At 15,36-18,22). São as primeiras cartas de Paulo. A terceira viagem foi de 53 a 58. Neste período ele escreveu ¨as grandes epístolas¨, Gálatas e I Coríntios, em Éfeso; II Coríntios, em Filipos; e aos Romanos, em Corinto. No final desta viagem Paulo foi preso por ação dos judeus e entregue ao tribuno romano Cláudio Lísias, que o entregou ao procurador romano Felix, em Cesaréia. Aí Paulo ficou preso dois anos (58-60), onde apelou para ser julgado em Roma; tinha direito a isso por ser cidadão romano. Partiu de Cesaréia no ano 60 e chegaram em Roma em 61, após sério naufrágio perto da ilha de Malta. Em Roma ficou preso domiciliar até 63. Neste período ele escreveu as chamadas ¨cartas do cativeiro¨ (Filemon, Colossenses, Filipenses e Efésios). Depois deste período Paulo deve ter sido libertado e ido até a Espanha, ¨os confins do mundo¨ (Rom 15,24), como era seu desejo. Em seguida deve ter voltado da Espanha para o oriente, quando escreveu as Cartas pastorais a Tito e a Timóteo, por volta de 64-66. Foi novamente preso no ano 66, no oriente, e enviado a Roma, sendo morto em 67 face à perseguição de Nero contra os cristãos desde o ano 64. S. Paulo foi um dos homens mais importantes do cristianismo. Deixou-nos 13 Cartas. Vejamos um resumo delas.

As Cartas aos Tessalonicenses

As duas cartas tem como tema central a segunda vinda de Jesus (Parusia), que as primeiras comunidades cristãs esperavam para breve e a sorte dos que já tinham morrido. Paulo admoesta a comunidade para a importância da vigilância. As cartas do Apóstolo depois delas falam mais do Cristo presente na Igreja do que da sua segunda vinda.

Tessalônica era porto marítimo muito importante da Grécia, onde havia forte sincretismo religioso e decadência moral; havia uma colônia judaica na cidade, e é na sinagoga que Paulo começa a pregar o Evangelho. Havia dúvidas sobre a iminente volta do Senhor.

Na segunda carta Paulo retoma o mesmo assunto, exortando os fiéis a trabalharem, uma vez que ninguém sabe a data da vinda do Senhor. As cartas devem ter sido escritas por volta do ano 52 quando estava em Corinto, durante a sua segunda viagem missionária pela Ásia.

A Carta aos Gálatas

São Paulo visitou os gálatas na segunda e na terceira viagem apostólica. É hoje a região de Ankara na Turquia. A carta foi escrita por volta do ano 54, quando Paulo estava em Éfeso, onde ficou por três anos. O motivo da carta são as ameaças dos cristãos oriundos do judaísmo que querem obrigar ainda a observância da Lei de Moisés. Paulo mostra que é a fé em Jesus que salva e não a Lei. E exorta os gálatas a viverem as obras do Espírito e não as da carne.

Esta carta é também um documento autobiográfico de São Paulo, além de ser um documento de alta espiritualidade.

A Carta aos Coríntios

Corínto ficava na Grécia, região chamada de Acaia, e no ano 27aC. Cesar Augusto, imperador romano, fez de Corinto a capital da província romana da Acaia. Foi nesta cidade portuária, rica e decadente na moral, que Paulo fundou uma forte comunidade cristã na sua segunda viagem. Aí encontrou o casal Átila e Priscíla que muito o ajudou. Paulo ficou um ano e seis meses em Corinto, até o ano 53. Na sua terceira viagem ele ficou três anos em Éfeso, também na Grécia, e daí escreveu para os coríntios. A primeira carta contém sérias repreensões dos pecados da comunidade: as divisões e a imoralidade. Em seguida dá respostas a questões propostas sobre o matrimônio, a virgindade, as carnes imoladas aos ídolos, as assembléias de oração, a ceia eucarística, os carismas, a ressurreição dos mortos, etc. É uma das cartas mais amplas de S. Paulo em termos de doutrina e disciplina na Igreja.

A segunda carta é bem diferente da primeira, não é tanto doutrinária, mas trata das relações de Paulo com a comunidade, e desfaz mal entendidos, inclusive, e faz a sua defesa diante de acusações sérias que recebeu dos cristãos judaizantes. Nesta carta Paulo mostra a sua alma, seus sofrimentos e angústias pelo reino de Cristo. Resume-se na frase: ¨É na fraqueza do homem que Deus manifesta toda a sua força¨ (2Cor 12,9).

A Carta aos Romanos

A carta aos romanos é bem diferente das outras cartas de São Paulo, pelo fato de ser uma comunidade cristã que não foi fundada por ele, o que foi feito por S. Pedro. Esta carta foi escrita no final da terceira viagem missionária de Paulo, em Corinto, por volta do ano 57/58a fim de preparar a sua chegada em Roma. É uma carta onde temos o ponto mais elevado da elaboração teológica do apóstolo. Não trata de assuntos pessoais, mas da vida cristã, a justificação por Cristo que nos faz ser e viver como filhos de Deus e mostra a Lei de Moisés como algo provisório na história do povo de Deus. O ponto alto da carta é o capítulo 8, onde mostra que a vida cristão é uma vida conforme o Espírito Santo, que habita em nós, nos leva à santificação, vencendo as obras da carne, levando-a à transfiguração no dia da ressurreição universal. Tudo foi preparado por Deus Pai que nos fez filhos no Seu Filho, a fim de dar a Cristo muitos irmãos, co-herdeiros da glória do Primogênito (8,14-18).

As Epístolas do Cativeiro

Essas cartas são as escritas a Filemon, aos Colossenses, aos Efésios e aos Filipenses. Cada uma delas apresenta Paulo prisioneiro (Fm 1.9.10.13; Cl 4, 3.10.18; Ef 3,1; 4,1; 6,20; Fl 1, 7.13s). Trata-se do primeiro cativeiro em Roma (At 27,1-28). Paulo também esteve preso em Filipos (At 16,23-40); Jerusalém (At 21,31-23,31), em Cesaréia (At 23,35-26,32); em Roma segunda vez (2Tm 1,8.12.16s; 2, 9).

Carta a Filemon

Quando Paulo estava preso em Roma pela primeira vez, entre os anos 61- 63, foi procurado pelo escravo Onésimo, que fugira de seu patrão Filemon em Colossos e procurou abrigo em Roma. Pela legislação judaica o escravo fugitivo não devia ser devolvido ao dono (Dt 23,16), diferente da lei romana que protegia o patrão. Então Paulo devolve Onésimo a a Filemon, cristão, e pede-lhe que pela caridade de Cristo, receba o escravo não mais como coisa, mas como um irmão. É a primeira declaração dos direitos humanos no cristianismo.

Carta aos Filipenses

Filipos era uma grande cidade fundada por Filipe II, pai do Imperador macedônio Alexandre Magno, e que o imperador romano Augusto transformou em importante posto avançado de Roma (At 16,12). Durante suas viagens Paulo esteve três vezes em Filipos, e fez fortes laços de amizade com os cristãos. Esta carta é chamada de ¨a carta da alegria cristã¨, por repetir 24 esta palavra, aos filipenses que sofriam perseguições, como ele na prisão. ¨Alegrai-vos sempre no Senhor. Repito, alegrai-vos! ¨ (Fl 4,1). Nada pode tirar a alegria daquele que confia em Jesus.

Carta aos Colossenses

Colossos era notável centro comercial, que ficava na Frígia, na Ásia Menor, a 200 km de Éfeso, próxima de Laodicéia e Hierápolis. Paulo esteve por duas vezes na região da Frígia. O motivo da carta são os pregadores de ¨doutrinas estranhas¨, provocando um sincretismo religioso, com elementos judaicos, cristão e pré-gnósticos. Paulo fala do primado absoluto de Jesus Cristo, numa linguagem que os gnósticos entendiam. O ponto alto da carta é o hino cristológico (1,15-20) que mostra Cristo como o primeiro e o último, o Senhor absoluto no plano da criação e da redenção.

Carta aos Efésios

O tema central desta carta é o propósito eterno de Deus: Jesus Cristo é a cabeça da igreja, que é formada a partir de muitas nações e raças.

Cartas pastorais

Essas cartas são as escritas a Timóteo e Tito.

Cartas a Timóteo

A primeira carta serve de orientação a Timóteo, um jovem líder da igreja primitiva. O Apóstolo Paulo lhe dá conselhos sobre a adoração, o ministério e os relacionamentos dentro da igreja. Na segunda carta, ele lança um último desafio a seus companheiros de trabalho.

Carta a Tito

Tito era ministro em Creta. Nesta carta o Apóstolo Paulo o orienta sobre como ajudar os novos cristãos.

Carta aos Hebreus

A carta é anônima. Tem sido atribuída a Paulo, Barnabé, Lucas, Apolo, entre outros. Esta carta exorta os novos cristãos à não observarem mais rituais e cerimônias tradicionais, pois, em Cristo, eles já foram cumpridos.

Carta de Tiago

Autor indeterminado. Há, no Novo Testamento, três personagens preeminentes chamados Tiago. Em geral, aceita-se que o Tiago, chamado por Paulo de “o irmão do Senhor” (Gálatas 1, 19), foi o autor da carta. Tiago aconselha os cristãos a viverem na prática a sua fé e, além disso, oferece idéias como isso pode ser feito.

Cartas de Pedro

Estas 2 cartas foram escritas pelo apóstolo Pedro. A primeira era para confortar os cristãos da igreja primitiva que estavam sendo perseguidos por causa de sua fé. Na segunda carta o Apóstolo Pedro adverte os cristãos sobre os falsos mestres e os estimula a continuarem leais a Deus.

Cartas de João

O apóstolo João escreveu um total de três cartas. A primeira carta explica verdades básicas sobre a vida cristã com ênfase no mandamento de amarem uns aos outros. A segunda carta, dirigida à “senhora eleita e aos seus filhos” [alguns crêem que o Apóstolo se refere a uma senhora cristã e sua família, que viviam em Éfeso; outros, que é a personificação de uma igreja e seus membros], adverte os cristãos quanto aos falsos profetas. Na terceira, em contraste com sua segunda carta, esta fala da necessidade de receber os que pregam a Cristo.

Carta de Judas

Provavelmente o apóstolo São Judas Tadeu, irmão de Tiago. Judas adverte seus leitores sobre a má influência de pessoas alheias à irmandade dos cristãos.

Apocalipse (Revelação)

Este livro foi escrito pelo apóstolo João para encorajar os cristãos que estavam sendo perseguidos e para firmá-los na confiança de que Deus cuidará deles. Usando símbolos e visões, o escritor ilustra o triunfo do bem sobre o mal e a criação de uma nova terra e um novo céu.

PostHeaderIcon Resumo dos livros da Bíblia – Antigo Testamento

RESUMO DOS LIVROS DO ANTIGO TESTAMENTO

O Pentateuco – é o nome dado aos cinco primeiros livros da Bíblia (Gen, Ex, Lev, Num, Dt) e constituem a Lei de Moisés ou Torá.

O livro do Gênesis – narra as origens do homem e do mundo criados por Deus, e apresenta-nos a maravilhosa história dos Patriarcas: Abraão, Isac e Jacó. A mensagem deste livro é importantíssima. Entre outras coisas traz a revelação de Deus sobre os seguinte pontos:

1 – Deus é o Criador do mundo e do homem.

2 – Deus é distinto do universo; quer dizer, não existe o Panteísmo que defende que Deus e o mundo são a mesma coisa; e o mundo seria apenas uma ¨emanação de Deus¨.

3 – O mundo é bom.

4 – O mundo criado manifesta a glória e a paz de Deus.

5 – O homem foi criado da terra, mas foi animado de um espírito de vida (alma) imortal, criado e dado por Deus.

6 – O homem foi criado para viver na amizade de Deus.

7 – O homem foi criado livre.

8 – A harmonia primitiva foi destruída pelo pecado da desobediência a Deus. O homem tem a vã esperança de ser Deus (pecado original).

9 – O homem foi excluído do Paraíso.

10 – Deus faz a Promessa de Redenção da humanidade através da Mulher.

11 – O homem foi dominado pelo pecado e o mal se generaliza: Caím, Torre de Babel, Sodoma e Gomorra, etc..

12 – Deus faz uma primeira aliança com o homem através de Noé.

13 – Deus continua a aliança com Abraão, Isac e Jacó.

O livro do Êxodo – narra a ida do povo de Israel para o Egito e a escravidão alí sofrida. Deus chama Moisés e através dele tira o povo do Egito milagrosamente; em seguida estabelece uma Aliança com Moisés e dá ao Povo os seus Mandamentos, leis, preceitos, ritos e cultos.

O livro do Levítico - narra as Leis dos rituais, as leis sociais, as prescrições, as bênçãos e maldições, os sacrifícios oferecidos a Deus (holocaustos, oblações, sacrifícios pacíficos, sacrifícios de expiação). Era o livro dos levitas ou sacerdotes do povo. São as leis relativas ao culto e à santidade do povo.

O livro dos Números - fala do recenseamento do povo feito por Moisés no deserto e apresenta as listas de nomes e números. Contém ainda outras leis misturadas com a narrativa da caminhada até as margens do rio Jordão.

O livro do Deuteronômio, que quer dizer ¨segunda lei¨, consta de cinco sermões de Moisés que recapitulam a Lei e narra o fim da vida de Moisés.

Os livros Históricos – Há 16 Livros históricos na Bíblia (Josué, Juízes, Rute, I e II Samuel, I e II Reis, I e II Crônicas, Esdras, Neemias, Tobias, Judite, Ester, I e II Macabeus) que narram a história do povo hebreu desde a entrada na Terra Prometida até os tempos dos Macabeus, já próximo de Jesus cerca de 150 anos.

O livro de Josué - Narra a árdua missão de Josué, indicado por Deus a Moisés para ser o seu sucessor e introduzir o povo na Terra prometida, fazendo o povo viver as leis que Deus deu a Moisés, distribuindo a terra entre as tribos de Israel e lutando contra os cananeus. Mostra a fidelidade de Deus às suas promessas feitas ao povo. É uma continuação lógica do Pentateuco.

O livro dos Juízes - narra as suas histórias desde a morte de Josué até Samuel. Josué ao morrer não deixou sucessor. As doze tribos de Israel já estavam estabelecidas na terra prometida, mas não tinham um governo central, mas eram unidas pela religião monoteísta (um só Deus), diferente dos outros povos de Canaã que tinham muitos deuses (Baal, Aserá, Astarte). Israel convivia com esses povos pagãos e muitas vezes caiu na idolatria. Neste contexto Deus suscitou os Juízes em Israel. Eram heróis, muitas vezes dotados de força física ou carismas especiais para libertarem uma ou mais tribos de Israel dominadas pelos extrangeiros. Não tinham sucessores nem dinastia, não promulgavam leis e nem impunham impostos. São o testemunho vivo de que Javé jamais abandonou o seu povo. Entre os grandes juízes encontramos Eli e Samuel, que foram os únicos que tiveram autoridade sobre todo o Israel, embora não tinham sido chefes de exércitos como os outros. Ao todo foram doze juízes. Os maiores foram Otoniel (da tribo de Judá), Aod (Benjamim), Barac (Neftali), Gedeão (Manassés), Jefté (Gad), Sansão (Dã). Os menores são Samgar (Simeão), Tolá (Issacar), Jair (Galaad), Abesã (Aser), Elon (Zabulon) e Abdon (Efraim). Os 21 capítulo de Juízes cobre um período de quase 200 anos que vai de 1250 a 1050, da morte de Josué até o primeiro rei de Israel, Saul.

O livro de Rute - é posterior ao exílio na Babilônia (587 – 537 AC). Conta a bela história de Rute, a moabita que desposou Booz, israelita, e dos quais nasceu Obed, o pai de Jessé, que foi o pai do rei Davi. A finalidade do livro é transmitir uma história edificante sobre as origens da família de Davi, que teve, então, entre os seus antepassados uma moabita, isto é, um membro que não era do povo judeu, e até seu inimigo. Isto já ensina a universalidade da salvação preparada por Deus para todos os homens (cf. Rt 2,12). O mesmo se dá com o livro de Jonas. Mateus, na genealogia de Jesus, faz questão de citar Rute, para significar que Ele não é filho apenas de israelitas, e Salvador não só dos judeus, mas de todos os homens.

Os livros de Samuel - foram escritos após o ano 622AC, e narra as histórias de Samuel, o último dos Juízes, do rei Saul e do rei Davi. Continuam as narrações contidas nos livros dos Juízes e cobrem um período da história de Israel de 1050 a 970 aC. Samuel, o último dos juízes foi incumbido por Deus para sagrar o primeiro rei de Israel, Saul.

Os livros dos Reis - narram a história dos reis de Israel, Saul, Davi, Salomão, etc. , e vai até o exílio do ano 587aC quando aconteceu o exílio para a Babilônia. Narra a construção do Templo por Salomão, a separação das 12 tribos de Israel em dois reinos rivais (Samaria e Judá), e conta, entre outras coisas, a queda de ambos os reinos, a destruição de Jerusalém, , a história de Elias, Eliseu, a Reforma de Josias e a destruição de Jerusalém pelos babilônios. O livro cobre cerca de 400 anos de história de Israel (970-570 aC). Começa com os últimos dias de Davi e vai até a libertação de Jeconias, rei de Judá, detido na Babilônia (561). O livro conta a história dos dois reinos de Israel separados e rivais. Apresenta os doze reis de Judá, todos da descendência de Davi; e os dezenove reis da Samaria, pertencentes a nove dinastias diferentes, perdendo, então, a descendência de Davi.

Os dois livros das Crônicas I e II(ou Paralipômenos = as coisas omitidas) – formam com os livros de Esdras e Neemias um bloco homogêneo chamado de ¨obra do Cronista¨. Narram as histórias de Israel, repetindo ou completando o que já foi narrado em Samuel e Reis. Na verdade, reapresenta a história narrada em Samuel e Reis, mas com uma perspectiva ainda mais religiosa. Trazem uma tabela genealógica desde Adão até Davi; a história do rei Davi, de Salomão e dos reis de Judá, e procura dar um significado teológico aos acontecimentos narrados.

O livro de Esdras (sacerdote) e Neemias (governador) – são do mesmo autor das Crônicas e contam as histórias desses personagens importantes que restabeleceram a restauração religiosa e moral de Israel após o exílio da Babilônia. Cobre uma época que vai de 538 a 430 aC. Narram a construção e a dedicação do Templo, a reconstrução das muralhas e da cidade de Jerusalém. É o tempo dos profetas Ageu, Zacarias e Malaquias. Foi o renascimento do judaísmo após o exílio, a partir de Judá que volta do exílio; e daí nascerá o Messias. Por isso Esdras é chamado o ¨ pai do Judaísmo¨.

Os livros de Tobias, Judite e Ester – são livros escritos no gênero literário chamado de midraxe, que é a narração de um fato histórico com ênfase religiosa, isto é, na ação de Deus que age em defesa dos fiéis, realçando os aspectos edificantes e moralizantes dos fatos narrados, com o intuito de formar os leitores. São histórias edificantes que não se pode saber bem quando ocorreram, e que não se referem a todo o Israel, mas apenas a uma pessoa, família (Tobias) ou cidade (Judite). São belos livros, de leitura muito edificante, que mostram a ação de Deus, na vida de uma pessoa, de uma família ou de uma cidade que nele confia. É importante notar a figura de duas mulheres, usadas por Deus para a sua obra de salvar o seu povo. Ester é figura de Nossa Senhora.

Os livros dos Macabeus - contam a história do povo Judeu no tempo da opressão dos sírios, especialmente pelo rei Antíoco IV Epífanes (175 -163), que queria obrigar o povo a praticar as leis pagãs e rejeitar a lei de Deus. Levantou-se Matatias, sacerdote, como chefe de guerrilha e guerra contra os sírios, com os seus filhos João, Simão, Judas, Eleazar e Jônatas. A revolta dos Macabeus surgiu por esta causa e vai aproximadamente de 175 a 163 aC., já no limiar da chegada de Jesus.

Do tempo de Esdras (400) até os Macabeus (175), temos um período de cerca de 225 anos dos quais a Bíblia nada fala. Parece terem sido tempos de paz, embora Israel ainda vivesse sob o jugo de Alexandre Magno, e depois os sírios.

Os livros Sapienciais – Há 7 livros na Bíblia que são chamados de Sapienciais, isto é, que falam da sabedoria de Deus. Vamos examiná-los.

O livro de - foi escrito no século V antes de Cristo, e medita sobre a questão do sofrimento humano. Por que sofrem os bons? A sua mensagem principal é que o homem deve humilhar-se no sofrimento e confiar em Deus que sabe tirar o bem até mesmo do mal. Mostra a vitória, pela fé, de um homem que mesmo coberto de lepra da cabeça aos pés, sabe ainda confiar em Deus, sem perder a fé e sem blasfemar. A grande mensagem do livro é que não podemos conhecer todas as causas do sofrimento, mas devemos fazer um ato de confiança absoluta em Deus. E não ficaremos frustrados.

O livros dos Salmos - contém 150 salmos de Davi, Salomão e outros. Eram orações ¨cantadas com o acompanhamento de instrumentos de corda¨. Era por excelência o livro de oração dos judeus e também da nossa Igreja. Canta os louvores de Deus, as lamentações do povo, os cânticos religiosos, os poemas e as súplicas. Exprimem as mais diversas situações de ânimo; adoração, louvor, perseguição, saudades do santuário, desejo de Deus, confissão dos pecados, esperança em Deus que salva, oráculos messiânicos, cânticos de Sion, etc..

O livro dos Provérbios - trazem a riquíssima sabedoria que o povo judeu armazenou durante a vida muito sofrida, especialmente no exílio. É o mais representativo da literatura sapiencial bíblica, que datam do século X a.C., às quais foram acrescentadas normas que são do séc IV /III aC. Aos poucos a sabedoria foi tomando aspecto religioso, com as suas raízes no ¨temor do Senhor¨, e procura agradar a Deus. É vista como um dom de Deus. Os sábios atribuíam a ao próprio Deus a sabedoria. O termo provérbio vem do hebraico ¨Meschalim¨, que quer dizer ¨Máximas¨. O livro consta de nove coleções de máximas, as mais antigas atribuídas a Salomão.

O livro do Eclesiastes - é parecido com o livro de Jó; uma vez que ambos tratam da questão do sofrimento. O termo eclesiastes quer dizer ¨orador¨ ou ¨pregador¨, aquele que fala na assembléia. Enquanto Jó parte a realidade do mal, Eclesiastes parte da vaidade e da deficiência de todos os bens. Quem lê o livro pode à primeira vista ficar confuso, quando recomenda o gozo dos bens materiais; no entanto são apenas reflexões que o autor faz consigo mesmo, contraditórias, antes de chegar às conclusões. Por fim termina dizendo: ¨teme a Deus e guarda os seus mandamentos¨. O autor do livro não é Salomão, mas um judeu da Palestina que viveu no séc. III a.C.

O livro do Cântico dos Cânticos – quer dizer ¨o mais belo dos cânticos¨ . O tema do livro é o amor de um homem chamado Salomão e rei por uma jovem chamada de ¨a sulamita¨, guarda de vinhas e pastora. A interpretação é a seguinte: sob a imagem do esposo é figurado o próprio Deus e, sob a imagem da esposa, a filha de Sion, o povo de Israel, que Deus escolheu entre todas a nações. Na perspectiva cristã é a figuração de Cristo (Esposo) e a Igreja (Esposa).Os místicos viram também na figura da esposa a Virgem Maria e, também, qualquer alma fiel a Deus. As fortes cenas de amor são uma maneira oriental de se expressas e não devem nos impressionar ou levar-nos a conclusões erradas; são fortes para mostrar o quanto Deus ama a humanidade.

O livro da Sabedoria - foi escrito por um judeu de Alexandria no norte do Egito, com o objetivo de fortalecer a fé dos judeus que viviam nesta região, de modo a não aderirem à religião dos povos desta região. Muitos judeus viviam nesta rica cidade fundada por Alexandre Magno (†324a.C). O autor exalta a Sabedoria judaica, cuja origem é Deus; e quer mostrar que ela nada é inferior à grega, que domina Alexandria.

O livro do Eclesiástico (ou Sirácidas) – A tradução grega é ¨Sabedoria de Jesus filho de Sirac¨. Os cristãos de língua latina o chamavam de ¨Ecclesiasticus¨, já que era usado para ensinar os bons costumes aos catecúmenos que se preparavam para o Batismo. Era o livro da ¨Ecclesia¨ (Igreja). É um pouco parecido com o livro dos Provérbios, mas revela uma fase mais avançada do pensamento dos judeus. O livro deve ter sido escrito aproximadamente no ano 190 aC em Jerusalém, em hebraico, e depois foi traduzido para o grego em 132 aC.

Os livros proféticos – são 18. A partir de Samuel (sec.XI a.C) até Malaquias (sec.V a.C) a série dos profetas foi ininterrupta e eles exerceram papel muito importante no reino de Israel: eram conselheiros dos reis, censuravam as injustiças, condenavam toda idolatria, etc.

Os profetas Isaías, Jeremias, Oséias, e Amós, atuaram antes do exílio (587-538 a.C) e mostravam aos reis e ao povo as suas faltas, pelas quais Deus os abandonaria nas mãos dos estrangeiros.

Os profetas Ezequiel e o ¨segundo¨ Isaías (Is 40-55) agiram durante o exílio procurando erguer o ânimo do povo.

Os profetas Ageu, Zacarias e Malaquias atuaram depois do exílio incentivando o povo a reconstruir o Templo e os muros de Jerusalém, além de empreender a reforma religiosa, moral e social da comunidade judaica e predizendo a glória do futuro Messias.

Os profetas Oséias, Amós, Miquéias, Joel, Abdias, Jonas, Naum, Habacuc, Sofonias, Ageu, Zacarias, Malaquias, em número de 12, são chamados de profetas menores, não porque não foram importantes, mas porque nos deixaram escritos pequenos, que já no século II antes de Cristo eram colecionados em um só volume (rolo). Não é possível se saber com exatidão a época em que cada um deles atuou, mas sabemos que agiram do século VIII ao século III a.C. e fornecem dados importante da história de Israel e dos povos vizinhos.

O livro de Isaias - o profeta viveu de 740 a 690aC. Mas não foi o único autor de todo o livro. Este está dividido em três partes: Isaias I (capítulos 1-39) é do tempo do profeta; Isaias II (40-55) é da época do exílio da Babilônia (587-638aC) e Isaias III (56-66) foi escrito após o exílio na época da restauração do povo na sua terra. O profeta Isaías era filho de nobre família de Jerusalém, poeta , foi conselheiro dos reis Jaotã, Acaz e Ezequias numa época de infidelidade moral e religiosa por parte do povo de Israel. O livro de Isaías, por isso, é dito da ¨escola de Isaías¨; isto é, seus discípulos devem ter continuado a obra do mestre através dos séculos.

O livro de Jeremias - O profeta viveu de 650 a 567aC, nasceu perto de Jerusalém. O reino de Judá estava cada vez mais ameaçado pelos adversários, e o profeta anunciou a ruína da Cidade Santa e do Templo, por isso foi condenado à morte pelos sacerdotes e falsos profetas, mas escapou da morte. O livro contém os quarenta anos de pregação do profeta.

O livro das Lamentações - é uma coleção de cinco cânticos que choram a queda da Cidade Santa de Jerusalém ocorrida e 587aC. Os quatro primeiros são acrósticos. Reconhece a culpa do povo por causa dos seus pecados e o convoca à penitência e à oração.

O livro de Baruc - Baruc foi conselheiro e secretário (amanuense ) de Jeremias. Acompanhou-o ao Egito após a queda de Jerusalém em 587aC; o autor trato do povo no exílio da Babilônia e exorta-o para que não caia na idolatria dos babilônios, viva a lei de Moisés e não desanime.

O livro de Ezequiel - O profeta Ezequiel (= Deus dá força), era sacerdote, casado, e perdeu a esposa um pouco antes da queda de Jerusalém em 587aC. Exerceu o seu ministério até 571aC e, segundo uma tradição judaica morreu apedrejado pelos judeus. Acompanhou o povo de Judá na fase mais crítica da sua história, quando Jerusalém caiu sob Nabucodonosor. O livro de Ezequiel tem quatro partes: 1- (cap. 4-24), onde censura os judeus antes da queda de Jerusalém por causa dos seus pecados; 2- (cap. 25-32), que contém oráculos contra os povos estrangeiros que oprimiram os hebreus; 3 – (cap. 33-39), consola o povo durante e após o cerco de Jerusalém, prometendo-lhe tempos melhores; 4 – (40-48), descreve a nova cidade e o novo Templo após a volta do exílio.

O livro de Daniel - O profeta Daniel (=Deus é meu juíz), é o principal personagem do Livro. Os capítulos de 1 a 6 formam um núcleo histórico e contam a históri do profeta. Daniel foi um hebreu deportado para a Babilônia em 606 aC, fiel à lei de Deus, que o enriqueceu com dons diversos, tendo-se tornado importante na corte de Babilônia. Os capítulos 7 a 12 tem uma forma apocalíptica, que tem o seguinte sentido: na época em que os judeus estavam oprimidos por Antíoco Epifanes (167-164 aC) um hebreu piedoso escreveu a história dos último séculos de Israel, com a finalidade de animar os irmãos e apresentou a sua época como próxima da libertação messiânica. Faz referência ao Filho do Homem (7,13) e ao seu reino definitivo sobre as nações. Mais do que um livro profético, é um Midraxe e um Apocalipse, escrito no século II aC, não pelo profeta, mas por alguém que contou a sua história.

Os profetas menores

Amós - era natural de Técua (Judá). Pastor de gado e cultivador de sicômoros. Exerceu o chamado profético no reino da Samaria, sob o rei Jeroboão (783-743 aC). Pregou contra o luxo, a depravação dos costumes, o culto idolátrico, previu a queda do reino da Samaria em 721aC nas mãos dos Assírios. Foi um ministério curto mas forte.

Oséias - pregou também no reino do norte, da Samaria, sob Jeroboão II (783-743 aC). O livro mostra as relações de Javé com o povo judeu simbolizadas pelo casamento do profeta, que se casa com uma mulher leviana (Gomer), que o engana; mas que cai na escravidão; é, então resgatada pelo profeta que a recebe de novo como esposa. O tema principal do livro é o amor de Javé pelo seu povo.

Miquéias - profetizou sob Joatã, Acaz e Ezequias, reis de Judá (740-690 aC). Deve ter conhecido a queda do reino do norte em 721 e a invasão de Judá em 701 por Senaquerib. O profeta Jeremias cita um dos seus oráculos contra Judá (Jr 26, 18). Encontramos neste livro uma notável profecia messiânica (5,1-4).

Sofonias - Exerceu seu ministério sob o piedoso rei Josias (640-609 aC), que fez uma forte reforma religiosa em 622 (2Rs22,3-23,21). A mensagem principal de Sofonias é o anúncio do Dia do Senhor, também abordado por Amós e Isaías. O Senbor salvará o resto do seu povo, que lhe servirá na justiça, na humildade e na piedade.

Naum - era natural de Elcós. Trata somente da queda de Nínive, capital do império Assírio, que ameaçava os povos vizinhos e Judá. O livro é pouco anterior à queda de Nínive em 612 aC.

Habacuc - O livro trata do tema ¨porque o ímpio prevalece sobre o justo e o oprime?¨. É da época das ameaças dos Assíris sobre Israel. O Senhor responde indicando a queda final dos ímpios e a vitória dos justos. Mostra que Deus, por caminhos obscuros, prepara a vitória do direito e dos justos. ¨O justo viverá pela fé¨ (Hab 2,4; Rm 1, 17; Gal 3, 11; Hb 10,38).

Ageu - este profeta dá início ao último período dos profetas, após o exílio. O tom e a da Restauração. Ageu acompanha o povo na volta da Babilônia. Essa gente era hostilizada pelos estrangeiros que moravam na Judéia e nos países vizinhos, passava dificuldades. Então o profeta exorta este povo a reconstruir o Templo, e isto como condição para a vinda de Javé e do seu reino. Exerceu seu ministério no ano 520aC.

Zacarias - Exerceu o ministério também por volta do ano 520aC., após o retorno do exílio. O livro se refere a oito visões do profeta que tratam da restauração e da salvação de Israel. Seguem-se os oráculos messiânicos. A segunda parte do livro é de difícil entendimento, com fatos históricos difíceis de conhecer e com um apocalipse que descreve as glórias de Jerusalém nos últimos tempos.

Malaquias - seu nome significa ¨meu mensageiro¨. Dois grandes temas são abordados pelo profeta: as faltas dos sacerdotes e dos fiéis na celebração do culto; e o escândalo dos matrimônios mistos e dos divórcios. O Senhor anuncia o dia do Senhor que purificará os sacerdotes e levitas, punirá os maus e concederá o bem aos justos. Fala da promessa da vinda de Elias que precederá o dia do juízo final. O livro de aproximadamente 515 aC, anterior à proibição dos casamentos mistos devida à reforma de Esdras e Neemias em 445 aC.

Abdias - é o menor dos livros proféticos, e de difícil entendimento. Dirigido a Edom, povo vizinho de Judá, sob o rei Jorã (848-841 aC). O livro exalta a justiça e o poder de Javé, que age como defensor do direito.

Joel - o livro foi escrito após o exílio, próximo do ano 400aC. É um compêndio da escatologia (últimos tempos) judaica. Descreve o Dia do Senhor, caracterizado pela efusão do Espírito Santo, o juízo sobre as nações e a restauração messiânica do povo eleito. O ataque dos gafanhotos, da primeira parte, indica os acontecimentos que antecederão imediatamente o Dia do Senhor. A segunda parte tem a forma de um apocalípse que descreve a intervenção final de Deus na história, com abalo cósmico.

Jonas - é diferente de todos os outros livros proféticos. Narra a história de um profeta, Jonas, que recusou a ordem do Senhor para que fosse pregar aos ninivitas. Milagrosamente conduzido pela providência divina chega a Nínive e consegue converter a grande cidade. Deus lhe ensina que a sua misericórdia atinge a todos os povos. É uma narração didática, parabólica, não história, para mostrar aos judeus do século V aC, muito nacionalistas, que a salvação é universal.

Amanhã postaremos o resumo dos livros do Novo Testamento. Não percam. Fiquem com Deus

PostHeaderIcon Forrar o estômago, cuidar do irmão (ICor 11,17-34)

1 – Leia o texto

17 Isto posto, eu não tenho de que vos felicitar: as vossas reuniões, muito ao invés de vos fazer progredir, vos prejudicam. 18 Primeiramente, quando vos reunis em assembléia, há entre vós divisões, dizem-me, e creio que em parte seja verdade: 19 é mesmo necessário que haja cisões entre vós, a fim de que se veja quem dentre vós resiste a essa provação. 20 Mas quando vos reunis em comum, não é a ceia do Senhor que tomais. 21 Pois na hora de comer, cada um se apressa a tomar a própria refeição, de maneira que um tem fome, enquanto o outro está embriagado. 22 Então, não tendes casas para comer e beber? Ou desprezais a Igreja de Deus, e quereis afrontar os que não têm nada? Que vos dizer? É preciso louvar-vos? Não, neste ponto eu não vos louvo.
23 De fato, eis o que eu recebi do Senhor, e o que vos transmiti: o Senhor Jesus, na noite em que foi entregue, tomou pão, 24 e após ter dado graças, partiu-o e disse: “Isto é o meu corpo, em prol de vós, fazei isto em memória de mim”. 25 Ele fez o mesmo quanto ao cálice, após a refeição, dizendo: “Este cálice é a nova Aliança no meu sangue; fazei isto todas as vezes que dele beberdes, em memória de mim”. 26 Pois todas as vezes que comerdes deste pão e beberdes deste cálice, anunciais a morte do Senhor, até que ele venha. 27 Por isso, quem comer do pão ou beber do cálice do Senhor indignamente tornar-se-á culpado para com o corpo e o sangue do Senhor. 28 Examine-se cada um a si mesmo, antes de comer deste pão e beber deste cálice; 29 pois quem come e bebe sem discernir o corpo come e bebe a própria condenação. 30 Eis por que há entre vós tantos doentes e aleijados, e vários morreram. 31 Se nos examinássemos a nós mesmos, não seríamos julgados; 32 mas o Senhor nos julga para nos corrigir, a fim de que não sejamos condenados com o mundo. 33 Assim pois, meus irmãos, quando vos reunirdes para comer, esperai uns pelos outros. 34 Quem tiver fome coma em casa, a fim de não vos reunirdes para a vossa condenação. Quanto ao resto, eu o regularei quando chegar.
Primeira Epístola aos Coríntios 11,17-34

2 – Assista a explicação sobre o texto

3 – Mais informações

Na sequência do texto sobre as vestes, temos um assunto diretamente ligado a liturgia. Um rico texto sobre instituição e celebração da Eucaristia. Nesse trecho da carta além de termos umas das versões escritas mais antigas sobre Eucaristia, temos, uma vez mais, e a partir da celebração eucarística, o apóstolo combatendo a divisão dentro da comunidade de Corinto.

A divisão é tanta que São Paulo chega a dizer que as reuniões para a celebração de Eucaristia trazem mais problemas do que benefícios (11,17), tamanha a divisão que nela acontecia (11,18).

Passa a descrever o problema. Segundo o apóstolo, existe a reunião da comunidade, mas ela não se caracteriza como “Ceia do Senhor” (11,20). Isso porque era comum antes da celebração Eucarística acontecer uma refeição comunitária. Essa refeição era, geralmente, oferecidas pelos de melhor condições financeiras. Mas esses costumavam comer e beber antes que chegassem os pobres e os que haviam se atrasado (11,21). E assim, uns com fome e sede e outros fartos, procedia a celebração litúrgica num ambiente no qual alguns se sentiam humilhados e desprezados (11,22b). Isso gerava divisão entre esses grupos e consequentemente a ira de São Paulo (11,22).

O ordem do apóstolo é que se não conseguem esperar uns aos outros, então que cada um coma e beba na sua própria casa e assim não prejudique a celebração Eucarística (11,22a). E passa a descrever o ponto culminante dessa celebração (11,23-26).

Mas o apóstolo não perde de vista o combate contra a divisão. Pois ainda que o erro de uma só pessoa não anule o valor da Celebração (11,27), o apóstolo mostra a necessidade de um exame de consciência para que a Eucaristia, que é penhor de Salvação, não se torne justamente o contrário, condenação (11,28-29).

Mas é preciso relacionar isso com a realidade da comunidade. Por isso, nesse exame e nessa culpa estão os atos citados na refeição contra os pobres da comunidade. A refeição comunitária e a celebração Eucarística estão ligadas, assim como a maneira como de agir com o irmão nesse banquete e o exame de consciência que se devia fazer na celebração.

São Paulo finaliza o trecho reforçando sua dica para que ninguém receba a Eucaristia e seja condenado: quando se reunir a comunidade, que esperem a todos para comerem juntos. Caso alguém não consiga, que coma em casa antes de ir para a reunião (11,33-34).

4 – Como aplicar o texto na vida

- Preocupo-me com o outro nas situações simples do dia-a-dia?

- Tenho o hábito de fazer exame de consciência, especialmente, em preparação para a celebração eucarística?

- Busco a confissão regularmente?

5 – Comente, participe através da área abaixo

PostHeaderIcon Não escandalize seu irmão (I Cor 8,1-13)

1 – Leia o texto

1 No tocante às carnes sacrificadas aos ídolos todos, está claro, possuímos o conhecimento. O conhecimento incha, mas o amor edifica. 2 Se alguém imagina conhecer alguma coisa, ainda não conhece como deveria conhecer. 3 Mas se alguém ama a Deus, é conhecido por Ele.
4 Portanto, é lícito comer carnes sacrificadas aos ídolos? Nós sabemos que não há nenhum ídolo no mundo e que não há outro deus fora o Deus único. 5 Pois, embora haja pretensos deuses no céu ou na terra – e de fato há vários deuses e vários senhores -, 6 para nós, só há um Deus, o Pai, de quem tudo procede, e para o qual nós vamos, e um só Senhor, Jesus Cristo, pelo qual tudo existe e pelo qual nós existimos.
7 Mas nem todos têm o conhecimento. Alguns, marcados por sua freqüentação ainda recente dos ídolos, comem a carne dos sacrifícios como se fosse realmente oferecida aos ídolos, e a consciência deles, que é fraca, fica manchada. 8 Não é um alimento que nos aproximará de Deus: se dele não comermos, não sofremos atraso; se comermos, não progrediremos mais. 9 Mas tomai cuidado para que essa mesma liberdade, que é vossa, não se torne ocasião de queda para os fracos. 10 Pois se te virem, a ti que tens o conhecimento, assentado à mesa em um templo de ídolo, esse espetáculo edificante acaso não impelirá o que tem a consciência fraca a comer carnes sacrificadas? 11 E, graças ao teu conhecimento, perece o fraco, esse irmão pelo qual Cristo morreu. 12 Pecando assim contra os vossos irmãos e ferindo a consciência deles que é fraca, é contra Cristo que pecais. 13 Eis por que, se um alimento pode fazer cair o meu irmão, eu renunciarei para todo sempre a comer carne, de preferência a fazer cair o meu irmão.Primeira Epístola aos Coríntios 8,1-13

2 – Assista a explicação sobre o texto

3 – Mais informações

Neste trecho da carta o apóstolo retoma os princípios forte/fraco e sábio/estulto… Os fortes e sábios são os que, ao invés de ensinar e cuidar dos que ainda não tinham amadurecimento na fé, se orgulhavam do conhecimento que possuíam e escandalizavam os fracos.

São Paulo começa por explicar sobre algo que lhe perguntaram: das carnes imoladas aos ídolos (8,1). Se podem ou não comê-la. Era comum nas cidades em que haviam templos, acontecer o oferecimento de sacrifícios de animais aos deuses. O imolação acontecia no próprio templo: parte da carne era queimada, parte ia para o consumo dos sacerdotes e excedentes eram vendidos nos mercados e feiras.

Além disso, a carne não era parte cotidiana da alimentação por seu alto preço. Isso acabava por gerar atração a esses cultos de sacrifício pois, quem participava de tal culto ainda se deliciava do banquete ligado ao evento. Os cristãos não participavam dos cultos e por isso, também não do banquete. Restava-lhes a possibilidade de comprar a carne restante nos mercados.

Ficava a dúvida: esse excedente trazia a consagração ao deus que o animal foi oferecido e por isso era carne impura? Os mais escrupulosos diziam que sim. Esses, provavelmente pagãos recém convertidos ao cristianismo, escandalizavam-se com os que comiam essas carnes.

A resposta do apóstolo possui dois pressupostos: o do conhecimento e o da caridade. Quanto ao conhecimento, os que possuíam a mente mais esclarecida sabiam que não existem outros deuses além do Deus único. Mas por outro lado, a caridade instrui que esses que possuem esse entendimento, não escandalizem os irmãos menos esclarecidos, ainda que para isso não comam essas carnes.

A questão era esclarecer os mais novos, não deixá-los na ignorância. Mas de modo a não provocar sua queda, o que significa fazer grave ofensa a Cristo. O respeito e a ajuda ao fraco, ou seja, a caridade, é prioridade. Por isso a liberdade cristã é direcionada a essa caridade, que é a verdadeira liberdade trazida por Jesus.

4 – Como aplicar o texto na vida

- Qual a minha relação com os mais fortes e experientes com os quais convivo?

- Qual a minha relação com os mais fracos e inexperientes com os quais convivo?

- A minha liberdade está condicionada à caridade ao outro?

5 – Comente, participe através da área abaixo

PostHeaderIcon Quer dedicar-se integralmente ao Senhor? (ICor 7,25-40)

1 – Leia o texto

25 A respeito de quem é virgem, eu não tenho ordem do Senhor; é um conselho que dou, de um homem que, pela misericórdia do Senhor, é digno de confiança. 26 Penso que é uma vantagem, por causa das angústias presentes, sim penso que é vantajoso para o homem permanecer assim. 27 Estás ligado a uma mulher? Não procures separar-te. Não estás ligado a uma mulher? Não procures mulher. 28 Todavia, se te casares, não pecas; e se uma virgem se casa, não peca. Mas as pessoas casadas terão pesadas provações a suportar, e eu vos quisera poupar.
29 Eis o que digo, irmãos: o tempo se abreviou. Doravante, aqueles que têm mulher sejam como se não a tivessem, 30 os que choram como se não chorassem, os que se alegram como se não se alegrassem, os que compram como se não possuíssem, 31 os que tiram proveito deste mundo, como se não aproveitassem realmente. Pois a figura deste mundo passa. 32 Eu quisera que fôsseis isentos de preocupações. Aquele que não é casado preocupa-se com as coisas do Senhor: ele procura como agradar ao Senhor. 33 Mas aquele que é casado preocupa-se com as coisas do mundo: ele procura como agradar à mulher, 34 e fica dividido. Do mesmo modo a mulher sem marido e a jovem solteira preocupam-se com as coisas do Senhor, a fim de serem santas de corpo e de espírito. Mas a mulher casada preocupa-se com as coisas do mundo: ela procura como agradar ao marido. 35 Digo-vos isso em vosso próprio interesse, não para vos armar uma cilada, mas para que façais o que convém melhor, e fiqueis unidos ao Senhor sem divisões.
36 Se alguém, transbordando de ardor, pensa não poder respeitar a sua noiva, e que as coisas devem seguir o seu curso, proceda conforme a sua idéia. Ele não peca: eles que se casem. 37 Mas aquele que tomou em seu coração uma firme resolução, fora de toda coação, e, em plena posse de sua vontade, tomou em seu foro íntimo a decisão de respeitar a sua noiva, este fará bem. 38 Assim aquele que desposa a sua noiva faz bem, e aquele que não a desposa fará ainda melhor. 39 A mulher está ligada a seu marido enquanto ele viver. Se o marido morrer ela fica livre para se casar com quem quiser, mas somente com um cristão. 40 Entretanto, ela será mais feliz, a meu ver, se ficar como está; e acredito que também eu tenho o espírito de Deus.Primeira Epístola aos Coríntios 7,25-40

2 – Assista a explicação sobre o texto

3 – Mais informações

Este trecho pode ser a tentativa de Paulo em responder ao questionamento de jovens que, motivados por seu exemplo, estavam inseridos na tarefa de evangelização, e que por isso queriam saber qual escolha seria a melhor: o matrimônio ou o celibato.

Tendo em mente que para cada um é dada uma vocação (7,7), o apostolo diz que não há mandamento para a questão, mas que dará um conselho baseado na sua própria experiência de evangelizador. É preciso entender bem que a passagem trata-se de um conselho apostólico direcionado para a missão. E sua primeira afirmação é o que vai guiar todo esse conselho: que cada um permaneça na condição (casado ou solteiro) em que se encontra (7,27).

Mas o apóstolo deixa claro que, aquele que, solteiro, deseja casar-se não há aí mal algum (7,28a). O conselho para que os solteiros não se casem é para que estes se vejam livres das obrigações próprias do matrimônio (7,26-28b) e possam dedicarem-se integralmente ao serviço ao Senhor. Além disso, orienta, aos que, casados, não fujam de suas obrigações com o pretexto da atividade cristã.

Mas por que São Paulo parecia criticar o casamento? Na verdade, ele não acreditava que um estado de vida poderia ser melhor que o outro. O desejo do apóstolo é que todos tenham como prioridade o anúncio do Reino e a volta iminente de Cristo. Por isso a ênfase do apóstolo a que se viva nessa perspectiva do fim dos tempos (7,29-31).

Em relação ao matrimônio, duas coisas precisam ser entendidas com estas explicações de São Paulo: primeiro que ele não está negando a possibilidade dos casados se dedicarem à evangelização. Mas está mostrando que estes precisam se dividir entre o trabalho do Senhor e a prioridade de sua vocação que é cuidar da família. Além disso, combater o desequilíbrio daqueles que, casados, deixavam suas famílias a ermo para se dedicar às atividades na Igreja.

4 – Como aplicar o texto na vida

- Se ainda não sei minha vocação, que passo tenho dado para descobrí-la?

- Vejo em mim sinais de dedicação integral ao Senhor, ou sinais de dedicação ao Senhor no seio de uma família?

- Se casado, vivo minha participação na Igreja de modo a ter como prioridade meu cônjuge e filhos?

5 – Comente, participe através da área abaixo

PostHeaderIcon Viva a fé dentro da sua condição (ICor 7,17-24)

1 – Leia o texto

17 No mais, cada um viva segundo a condição que o Senhor lhe atribuiu, e na qual se achava quando Deus o chamou. É o que eu prescrevo em todas as igrejas. 18 Um era circunciso quando foi chamado? Não dissimule a sua circuncisão. Outro era incircunciso? Não se faça circuncidar. 19 A circuncisão nada é e a incircuncisão nada é: tudo está em observar os mandamentos de Deus. 20 Cada um permaneça na condição em que se achava quando foi chamado. 21 Eras escravo quando foste chamado? Não te preocupes com isso, pelo contrário, mesmo que pudesses te libertar, procura antes tirar proveito da tua condição de escravo. 22 Pois o escravo que foi chamado no Senhor é um liberto do Senhor. Do mesmo modo aquele que foi chamado quando era livre é um escravo do Cristo. 23 Alguém pagou o preço do vosso resgate: não vos torneis escravos dos homens. 24 Irmãos, cada um permaneça diante de Deus na condição em que se achava quando foi chamado.Primeira Epístola aos Coríntios 7,17-24

2 – Assista a explicação sobre o texto

3 – Mais informações

São Paulo  reforça seu papel de apóstolo, de autoridade e de unidade, pois esse é o ensinamento dado a todas as Igrejas. Mas a situação  (de se permanecer cada um na sua condição) é ampliada ao âmbito social – religioso. De modo especial duas condições: circunciso/incircunciso e escravo/livre.

Quanto a questão da circuncisão, esta gerava divisão na Igreja. A circuncisão não era, para Paulo, uma condição para o cristão. Por outro lado, os circuncisos, estando em terras pagãs, não deviam adaptar-se aos costumes locais. Onde lemos: fiel ao chamado – pode ser também traduzido por: cada um fiel a sua vocação cristã.

Esse chamado também não é somente para os livres, mas também para os escravos. Se fosse assim a comunidade ou o cristão escravo teriam que arcar com o pagamento da alforria. E o apóstolo não pede ao escravo que recuse a alforria quando esta é possível, mas que assuma a vocação de cristão mesmo enquanto escravo.

Para isso São Paulo apresenta uma inversão interessante: aquele que é escravo torna-se livre em Jesus; e aquele que é livre torna-se servo do Cristo. Pois todos, escravos e livres foram comprados pelo preço do sangue do Senhor, sendo assim libertos e servos do Cristo e não dos homens. Finaliza o trecho reforçando necessidade em que cada um assuma sua vocação de cristão independente de sua condição de vida.

4 – Como aplicar o texto na vida

- Qual a minha condição (familiar, profissional, vocacional…)?

- Vivo a opção cristã dentro dessa minha condição?

- Ou espero que algo aconteça para a partir daí começar a viver o cristianismo?

5 – Comente, participe através da área abaixo

PostHeaderIcon Qual a sua vocação? (I Cor 7,1-16)

1 – Leia o texto

1 Venhamos ao que me escrevestes. É bom para o homem abster-se da mulher. 2 Todavia, para evitar todo desregramento, tenha cada homem a sua mulher, e cada mulher, o seu marido. 3 Cumpra o marido os seus deveres para com sua mulher, e faça a mulher o mesmo para com seu marido. 4 Não é a mulher que dispõe do seu corpo, mas o seu marido. Igualmente, não é o marido que dispõe do seu corpo, mas a sua mulher. 5 Não vos recuseis um ao outro, a não ser de comum acordo e temporariamente, a fim de vos consagrardes à oração; depois, voltai à convivência, para que a vossa incapacidade de autodomínio não dê a Satanás a ocasião de vos tentar. 6 Falando assim, eu vos faço uma concessão, não vos dou uma ordem. 7 Quisera eu que todos os homens fossem como eu; mas cada um recebe de Deus um dom particular, um este, outro aquele. 8 Eu digo portanto aos solteiros e às viúvas que é bom ficarem assim, como eu. 9 Mas se eles não podem viver na continência, que se casem; pois é melhor casar-se do que ficar ardendo. 10 Aos que são casados ordeno, não eu, mas o Senhor: que a mulher não se separe do seu marido 11 – se está separada não se case de novo ou reconcilie-se com o marido -, e o marido não repudie a sua mulher. 12 Aos outros digo, sou eu que falo, e não o Senhor: se um irmão tem uma mulher não-cristã, mas que consente em viver com ele, não a repudie. 13 E se uma mulher tem um marido não-cristão, mas que consente em viver com ela, ela não o repudie. 14 Pois o marido não-cristão é santificado por sua mulher e a mulher não-cristã é santificada por seu marido. Se fosse de outro modo, os vossos filhos seriam impuros, quando de fato são santos. 15 Se o não-cristão quer se separar, faça-o! Neste caso o irmão ou a irmã não estão ligados: é para viver em paz que Deus vos chamou. 16 Com efeito, como sabes, mulher, se salvarás o teu marido? Como sabes, marido, se salvarás a tua mulher?
Primeira Epístola aos Coríntios 7,1-16

2 – Assista a explicação sobre o texto

3 – Mais informações

Este texto é bem doutrinário. Entramos num momento em que o apóstolo responde a questões feitas pela comunidade. A partir daí o apóstolo começa a ensinar sobre o casamento. Indo contra, inclusive, as ideias de imoralidade dentro da comunidade (7,2). Vemos uma síntese para uma vida conjugal harmoniosa.

São Paulo desenvolve mostra a importância de que os cônjuges sejam fiéis um ao outro (7,2). Que devem cuidar um do outro (7,3). Que pertencem um ao outro (7,4). Que por isso precisam viver sempre juntos e não devem afastar-se sexualmente (7,5a). Em casos muito específicos podem privar-se um do outro, mas dentro das seguintes condições: em comum acordo, por um tempo determinado, por motivo de fé; e que passado esse tempo voltem a vida normal para que não sejam tentados a trair o cônjuge por estarem em continência sexual (7,5).

Mas o apóstolo deixa claro que esses períodos de abstinência não são obrigação, mas concessão, pois, apesar de desejar que a maioria viva o celibato como ele, sabe da necessidade da vida íntima para aqueles que possuem esse chamado. Pois tanto celibato quanto matrimônio são chamados específicos.

Aqui chama a atenção que novamente São Paulo mostra que cada um possui um chamado, diferenciando-nos uns dos outros (7,6-7). O celibato é mostrado como carisma, ou seja, dom dado por Deus e não mera vontade humana.

Após falar, especialmente, para os casados, São Paulo também instrui os solteiros e viúvas. A esses indica o celibato. Mas caso não consigam viver a continência sexual, é melhor, então que se casem do que cometer imoralidade (7,8-9). Abrasar-se aparece na Bíblia ligado a adúteros e pessoas que vivem na luxuria.

Volta o assunto para os casados. Agora para que não se separem. Mas caso isso aconteça não se casem com outra pessoa, mas que busquem a reconciliação (7,10-11). Uma vez que a lei judaica permitia o divórcio, o apóstolo, chamando a atenção para o senhorio de Jesus e dando voz a ele, mostra que o matrimônio é indissolúvel, como Jesus havia dito em Mc 10,1-12.

Em sequência São Paulo passa a tratar do fato de casamentos de cristãos com não cristãos. É preciso que haja concordância do não cristão para que o cristão viva sua fé. E havendo essa concordância não há motivos para que se separem (7,12-13).

Se o não cristão viver em paz e acordo é possível que o cristão transmita aos filhos, e inclusive,ao cônjuge não cristão, a própria consagração. Era comum o pai de família/patrão assumindo uma fé que todos da casa, inclusive empregados, assumissem a mesma fé (7,14).

A separação, nesse caso do chamado privilégio paulino* (12-16) não é autorizada, mas se a parte não cristã separar-se, a outra parte não fica ligada ao vínculo, já que, não havia paz e somos chamados a paz (7,15).

*PRIVILÉGIO PAULINO (Privilegium paulinum) – O privilégio paulino se chama assim por seu fundamento no texto paulino da Primeira Carta aos Coríntios (7,12-15). São Paulo fala como apóstolo e tenta decidir uma questão concreta não decidida antes de ele intervir. Ainda que não se trate de um privilégio em sentido jurídico estrito, contém uma exceção à lei geral da indissolubilidade. Tal exceção tem lugar quando a um matrimônio válido e legítimo, contraído originariamente na infidelidade, falta o pressuposto da estabilidade por culpa do cônjuge não-batizado que quer separar-se e não consente à parte convertida a prática pacífica da religião cristã. Em tal caso, o cônjuge cristão não fica ligado como escravo ao vínculo matrimonial, podendo separar-se e contrair novas núpcias. Os motivos que apóiam esta exceção são a paz religiosa e a liberdade de espírito que Deus quer para o cristão. Trata-se, em substância, de um matrimônio entre dois não-batizados, no qual um se converte, recebe o batismo e o outro rechaça a fé e a coabitação pacífica com o fiel; tal matrimônio, ainda que consumado, se dissolve “em favor da fé”. O “favor da fé” protege o valor supremo da salus animarum da qual diz o cân. 1752 “que, na Igreja, deve ser sempre a lei suprema” e a causa justa fundada em motivos e valores espirituais.

Fonte: Dicionário de Direito Canônico. Carlos Corral Salvador. Edições Loyola. p. 605

4 – Como aplicar o texto na vida

- Se ainda não sei qual a minha vocação, faço um trabalho de discernimento sério para descobri-la?

- Se casado,  vivo segundo minha vocação?

- Se celibatário, vivo segundo minha vocação?

5 – Comente, participe através da área abaixo

PostHeaderIcon Posso fazer tudo o que quiser?

1 – Leia o texto

12 “Tudo me é permitido”, mas nem tudo me convém. “Tudo me é permitido”, mas eu não me deixarei escravizar por nada. 13 Os alimentos são para o ventre, e o ventre para os alimentos, e Deus destruirá estes e aquele. Mas o corpo não é para a devassidão, ele é para o Senhor e o Senhor é para o corpo. 14 Ora, Deus, que ressuscitou o Senhor, nos ressuscitará também pelo seu poder. 15 Não sabeis porventura que os vossos corpos são membros de Cristo? Tomaria eu os membros do Cristo para os transformar em membros de prostituta? Certamente não! 16 Acaso não sabeis que quem se une à prostituta torna-se com ela um só corpo? Pois foi dito: Ambos serão uma só carne . 17 Mas aquele que se une ao Senhor é com ele um só espírito. 18 Fugi da devassidão. Qualquer outro pecado cometido pelo homem é exterior ao seu corpo. Mas o devasso peca contra o seu próprio corpo. 19 Ou não sabeis acaso que o vosso corpo é templo do Espírito Santo que está em vós e que vos vem de Deus, e que vós não vos pertenceis? 20 Alguém pagou o preço do vosso resgate. Glorificai portanto a Deus por vosso corpo.
Primeira Epístola aos Coríntios 6,12-20

2 – Assista a explicação sobre o texto

3 – Mais informações

Talvez por causa de práticas imorais dentro da comunidade (I Cor 5,1-13), São Paulo entra em questões que envolvem a relação espírito e corpo. A partir da afirmação de que tudo é permitido e que por isso a liberdade do homem não pode ser condicionada a nada (6, 12-13) São Paulo nos apresenta seu ensinamento.

O apóstolo rebate essas afirmações ao demonstrar que a liberdade tem limite, na primeira afirmação: Mas nem tudo me convém (6,12), pois quem se consagra a Cristo está submetido a Ele. E explica na segunda afirmação que, inclusive o corpo está sujeito a essa submissão: …e Deus acabará com ambos (alimento e ventre) (6,13).

Lembremos do contexto de imoralidades em que estava inserida a comunidade de Corinto. Por isso São Paulo enfrenta um ensinamento na comunidade que eleva o espírito e rebaixa o corpo. E esse rebaixamento incita a prática indiscriminada da sexualidade. O apóstolo coloca ambos espírito e corpo em pé de igualdade (6,13b).

A salvação oferecida por Jesus nos é dada através da sua divindade e humanidade. E nós somos salvos por ele no espírito e no corpo, pois nossos corpos são membros de Cristo (6,14). A sexualidade é parte importante do ser humano e também está ligada ao projeto de salvação.

4 – Como aplicar o texto na vida

- Como lido com a liberdade que Deus me deu?

- Cuido do meu espírito através das minhas práticas religiosas (vida interior, vida de oração, etc)?

- Cuido do meu corpo através de uma vida saudável (alimentação, atividade física, etc)?

- Vivo a minha sexualidade de modo equilibrado?

5 – Deixe seus comentários na área abaixo

Pesquisar no Site
Parceiros
  • Bíblia Católica Online
  • Canção Nova
  • Cds Cristãos Downloads
  • JÁ
  • Jovens Conectados
  • Jovens Revolucionários