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PostHeaderIcon A Vinda do Senhor segundo o Novo Testamento – I

No tópico passado vimos que a Vinda do Senhor no final dos tempos é chamada de Parusia, que significa chegada, vinda de alguém importante e que traz consigo dons e bênçãos. Vimos também que já no Antigo Testamento Israel esperava pelo Dia do Senhor, Dia de salvação para os amigos de Deus e de julgamento para os maus. Este Dia do Senhor, anunciado pelos profetas, estava ligado à vinda de um personagem misterioso: o Messias, o Filho do Homem.

O Novo Testamento continuou falando no Dia do Senhor, relacionando tudo a Cristo: é ele o Messias, o Filho do Homem prometido pelo Antigo Testamento. Para os cristãos, o Cristo que veio para salvar, voltará com glória para levar tudo à plenitude da salvação. Esta Vinda ou Manifestação do Senhor Jesus era chamada pelos cristãos e pelo Novo Testamento com o nome de Dia do Senhor ou Parusia do Senhor. Esta Parusia de Cristo será Dia de alegria, de plenitude, de consumação, de glória. Será também Dia da Aparição do Senhor, que vai revelar toda a sua glória, toda a vitória da sua Ressurreição; vitória sobre o pecado, o egoísmo e a morte! A Vinda do Senhor será, portanto, uma verdadeira manifestação: todo o mundo verá e reconhecerá, finalmente, a soberania de Cristo!

Nos primeiros tempos da Igreja esta Parusia foi ardentemente desejada e pensada como algo iminente, que iria acontecer logo, a qualquer momento. Mas, por que esta pressa da Vinda de Cristo? O motivo era este: se Jesus ressuscitou e tudo lhe está submetido é normal que se pensasse que o domínio do Senhor devesse manifestar-se rapidamente: quem tem a alegria da salvação, deseja logo a sua plenitude; fica impaciente para estar na plenitude do Cristo ressuscitado. Assim, encontramos nos textos mais antigos do Novo Testamento afirmações dessa proximidade da Parusia: “Irmãos, não queremos que ignoreis coisa alguma a respeito dos mortos, para não vos entristecerdes, como os outros homens, que não têm esperança. Se cremos que Jesus morreu e ressuscitou, cremos também que Deus levará com Jesus os que nele morrerem. Eis o que vos declaramos conforme a palavra do Senhor: nós, que ficamos ainda vivos, não precederemos os mortos na vinda do Senhor. Quando for dado o sinal, à voz do arcanjo e ao som da trombeta de Deus, o próprio Senhor descerá do céu e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro. Depois nós, os vivos, que estamos ainda na terra, seremos arrebatados juntamente com eles para as nuvens, ao encontro do Senhor nos ares. Assim estaremos sempre com o Senhor” (1Ts 4,13-17).

É necessário fazer algumas observações sobre este texto:

· Note-se que Paulo esperava para muito breve a Parusia; e não só: ele mesmo pensava que estaria vivo quando o Senhor viesse. Para ele, quem estivesse já morto ressuscitaria corporalmente e quem estivesse vivo seria transformado em Glória!

· No entanto, é importante notar que Paulo não fazia cálculo algum… não fazia como as seitas nem como os videntes de fim de ano, contratados pelo “Fantástico” da Rede Globo! Não inventava datas para a Vinda do Senhor… somente esperava para logo… porque esperava ansiosamente, esperava com amor!

· Quanto à linguagem que Paulo usa, é a linguagem apocalíptica, que exagera nas figuras e comparações: ele fala em “sinal”, em “som da trombeta”, em “voz do arcanjo”, em “ser arrebatado nos ares”, simplesmente para afirmar que nós seremos elevados até à Glória de Cristo Senhor. O som da trombeta significa que este momento será solene, como as chegadas dos grandes personagens e como os julgamentos: antigamente as trombetas soavam quando chegavam os reis e os juízes! Paulo, aqui, não quer descrever a Vinda do Senhor: é impossível fazer tal descrição porque o Dia do Senhor já não pertence a este mundo como nós conhecemos, mas será o começo de um mundo novo! Do mesmo modo a imagem do arrebatamento nos ares é somente uma imagem! As seitas se apegam a isto literalmente por pura e cristalina ignorância!

O que era bonito nos cristãos é que eles não somente esperavam o Senhor, mas sobretudo desejavam sua Vinda. A primeira Comunidade cristã espera e deseja o Senhor na sua Parusia; tanto que exclamava freqüentemente: Marana thá! (= Vem, Senhor!) (cf. 1Cor 16,22; Ap 22,20). Portanto, é muito importante, para o cristão, viver no desejo da plena Manifestação do Senhor. A Liturgia latina exclama ainda hoje em cada Missa: “Anunciamos a vossa morte… vinde, Senhor Jesus!”

Diante disto, uma questão pode ser colocada: os primeiros cristãos erraram, esperaram em vão ao pensar que o Senhor viria logo? Afinal, o tempo passou e o Senhor não veio! Para responder bem a esta questão é necessário primeiramente distinguir sentido cronológico e sentido teológico. É certo que, cronologicamente (ou seja, se olharmos o tempo contado pelos dias e anos), séculos já se passaram e o Senhor ainda não voltou; porém teologicamente (ou seja, do ponto de vista da fé), a certeza da manifestação de Jesus Cristo, o desejo dessa manifestação e a consciência de que ele é Senhor são tão profundas em nós e a sua salvação é tão presente na vida dos cristãos que, para nós a sua Vinda é algo próximo, que exige sempre de nós uma opção imediata, urgente, por ele em toda a nossa vida! A cronologia não é o mais importante! Sabemos que o Senhor virá e, nosso desejo é tanto que continuamos dizendo: ”o Senhor virá em breve: preparemo-nos! Sua Vinda é tão importante que o tempo é breve para nos converter!” É por isso mesmo que o Novo Testamento dá tanta importância à Parusia do Senhor, que levará tudo à plenitude. Tal expectativa revela o desejo e, ao mesmo tempo, a urgência da escolha – o tempo é breve!

É interessante que já no tempo dos Apóstolos alguns cristãos começaram a perder o fervor porque o Senhor não voltava logo, Na sua Epístola São Pedro responde: “Deveis saber que nos últimos dias virão zombadores cheios de escárnio que vivem segundo suas próprias paixões, dizendo: ‘Onde está a promessa de sua vinda? Pois, desde que morreram os pais, tudo permanece igual desde o princípio da criação’. Mas há uma coisa, caríssimos, de que não vos deveis esquecer: um dia diante do Senhor é como mil anos e mil anos como um dia. O Senhor não retarda o cumprimento de sua promessa, como alguns pensam, mas usa de paciência para convosco. Não deseja que alguém pereça. Ao contrário, quer que todos se arrependam. Entretanto, virá o dia do Senhor como ladrão! Por isso, caríssimos, vivendo nesta esperança, esforçai-vos para que ele vos encontre imaculados e irrepreensíveis na paz. E crede que a paciência do Senhor é para nossa salvação!” (2Pd 3,3-15). Notemos que Pedro dá ao problema do atraso da Parusia uma resposta em duas partes: (1) Para o Senhor um dia é como mil anos: é inútil fazer cálculos e esperar que o Senhor cumpra nossos cálculos! (2) Não se devem angustiar se o Senhor não chega; se ele tarda é para a nossa conversão!

Resumindo o que vimos:

· Para nós, cristãos, o Senhor Jesus virá na sua Glória; é isto que chamamos Dia do Senhor.

· Esta Vinda manifestará a todos que Cristo é o Senhor de todas as coisas e de toda a história humana.

· Os primeiros cristãos esperavam para logo a Parusia do Senhor simplesmente porque amavam ardentemente o Cristo: quem ama, deseja logo a presença do Amado.

· Os cristãos não faziam cálculo sobre quando o Senhor voltaria.

· Como o Senhor não veio logo, os cristãos começaram a compreender que o importante é estar sempre preparados e desejando a Vinda do Cristo, aproveitando o tempo para a conversão.

No próximo tópico veremos o que acontecerá na Vinda do Cristo!

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